quinta-feira, 21 de abril de 2011

CORAÇÃO DE CHOCOLATE



    Quando chega a época da Páscoa uma pergunta surge na minha mente. Qual a data mais importante para o cristianismo? O nascimento de Jesus, a morte ou a ressurreição. Podemos passar horas pensando e tentando valorizar uma data mais que as outras. E se Ele não nascesse? Nada disso teria acontecido, então, o nascimento é a data maior. Vejam que tinha uma estrela marcando o lugar, profecias as mais exatas se cumprindo, então essa data é a maior. Alguns podem até falar que o Natal é mais bonito, mais festivo, como nos países europeus ou nos Estados Unidos. Tudo isso porque os filmes que invadem o nosso país vêm principalmente desses lugares, mostrando as festividades que se fazem por lá no Natal.
   A morte de Jesus nos faz pensar na “nossa” morte. Foi tanto o que Ele sofreu que não é bonito nem mesmo lembrar. Quando lembramos ficamos comovidos, quebrantados. A chamada sexta feira santa é um dia de “luto”. Eu lembro que, quando eu era pequeno, na minha casa evitava-se ouvir musica, assoviar, ou qualquer outra demonstração de muita alegria. Por uma razão simples: internamente deveríamos nos lembrar da nossa finitude; tendíamos a nos fechar nessa data em uma espécie de introspecção. Porém, como negar que a morte significa a doação que Jesus fez da sua vida pela nossa. Podemos “tentar” negar isso, mas não há como. Ele veio por nós e morreu pelos pecados que não conseguimos pagar. Até isso nos faz pensar nessa data com pesar. E o resultado é que não analisamos muito a importância dela. Mas se Ele não se doasse?
   E a ressurreição, momento de alegria, Ele ressuscitou! Os “jornais de Jerusalém” (se existissem) noticiariam o milagre como algo fantástico! Recebemos ovos de chocolate, coelhinhos, que dizem representar a multiplicação e portanto deveria representar a vida. Ficamos alegres, comemoramos a Páscoa, mas sem o entusiasmo do Natal. O Natal continua ganhando no imaginário coletivo. As vendas na Páscoa nem são tão grandes, a não ser para os chocolates e iguarias. Alguns lembram de peixes e comem uma bacalhoada, mas mesmo assim não é como no Natal quando as comemorações e as compras sobem muito dando a impressão de ser uma data mais importante. Talvez pensemos no Natal como uma data mais bonita. Alguns afirmarão, mas se Ele não tivesse ressuscitado de nada valeria o nascimento.
    Depois de pensar por anos seguidos sobre essa “equação espiritual insolúvel”, compreendi que não podemos ter uma resposta única, por isso é insolúvel.  Entendi que não posso eleger essa ou aquela data pelos gostos e festas na Terra. Tenho que agradecer e festejar pela obra completa e por Ele ter ido até o fim, sem desistir de nós. Tudo faz parte da “conversa” familiar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo tiveram no céu, pensando em mim, em você em nós. Deus via do Seu lugar esses filhos aqui na Terra, perdidos. Com Dez promissórias para pagar, digo mandamentos, e nós, com os bolsos vazios de bondade e o coração cheio de dívidas. E nessa conversa, o Filho disse: Pai, eu vou. E como Isaque, levou a madeira da cruz para o Holocausto, mas, uma grande diferença nesse caso: nessa hora Deus não providenciou “outro” cordeiro, como foi no caso de Abraão e Isaque, pois Eles, a Família bendita,  já tinham resolvido o que fazer.
   Nessa Páscoa vamos receber chocolates em forma de ovos, coelhinhos, corações e tantas outras formas. Devemos saborear, porém, lembrando-se de toda a história: Nascimento, morte e ressurreição. Vamos comemorar o conjunto completo e agradecer. Vamos oferecer o nosso coração a Jesus e viver por Ele. Vamos lembrar-nos daqueles que ainda não entenderam o gesto de Jesus e falarmos Dele vivo. Calvino disse que se o evangelho não for pregado, é como se Jesus permanecesse enterrado. Para muitos que não o conhecem, vêem Jesus como alguém morto e crucificado.   Vamos mostrar a cruz vazia, demonstrando que Ele venceu a morte. Vamos vivê-lo internamente, vamos nos perguntar se devemos continuar com os nossos corações de pedra ou substituí-lo por algum mais macio mais maleável. Que nessa Páscoa possamos ter um coração de Chocolate, pelo menos é macio e se derrete à toa. Não devemos nos conformar com as coisas ruins que acontecem e nem vamos nos desesperar. Vamos, sim, lembrar que Ele é o nosso Senhor e Salvador, que nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por nós.
  Quando todos souberem que Ele ressucitou vão ficar como traz o Salmo 126- 2 e 3. “Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes.Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres”

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